Entenda o que a ciência já sabe sobre cannabis medicinal e Alzheimer, os resultados de um estudo brasileiro e a importância do acompanhamento médico.

Cannabis medicinal e Alzheimer: o que a ciência já sabe sobre memória e sintomas 

Pode a cannabis medicinal ajudar pessoas com doença de Alzheimer?

Essa é uma das perguntas que mais cresceram nos últimos anos. Um estudo brasileiro publicado em 2025 trouxe resultados animadores ao demonstrar melhora do desempenho cognitivo em pacientes tratados com um extrato contendo baixas doses de THC e CBD. 

Mas o que isso realmente significa?

Por que os canabinoides estão sendo estudados no Alzheimer?

A doença de Alzheimer provoca alterações progressivas no cérebro que afetam a memória, o raciocínio, o comportamento e a capacidade de realizar atividades do cotidiano.

Além do declínio cognitivo, a pessoa pode apresentar agitação, ansiedade, mudanças no sono, irritabilidade, perda de apetite e alterações de humor. Esses sintomas também têm um impacto importante sobre familiares e cuidadores.

Os canabinoides, como o canabidiol, conhecido como CBD, e o tetraidrocanabinol, chamado THC, interagem com o sistema endocanabinoide do organismo.

Esse sistema participa da regulação de diferentes funções, como sono, apetite, humor, percepção da dor e respostas inflamatórias. Por isso, pesquisadores estudam se sua modulação pode contribuir para o controle de determinados sintomas relacionados às demências.

Estudos em células e animais também investigam possíveis efeitos sobre inflamação cerebral, estresse oxidativo e proteção dos neurônios. No entanto, resultados de laboratório não podem ser automaticamente aplicados às pessoas.

A confirmação de um benefício depende de ensaios clínicos bem conduzidos.

O que mostrou o estudo brasileiro?

O estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, a UNILA, foi publicado no Journal of Alzheimer’s Disease em 2025.

A pesquisa acompanhou pacientes entre 60 e 80 anos com demência associada à doença de Alzheimer. O ensaio foi randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, formato considerado um dos mais confiáveis para avaliar tratamentos.

Durante 26 semanas, um grupo recebeu diariamente um extrato com baixas doses de THC e CBD, enquanto o outro recebeu placebo.

Ao final do período, o grupo tratado com cannabis apresentou resultado superior no Mini-Exame do Estado Mental, um instrumento utilizado para avaliar aspectos como orientação, atenção, linguagem e memória.

Enquanto os participantes que receberam placebo apresentaram piora, aqueles tratados com o extrato mantiveram ou melhoraram a pontuação cognitiva ao longo do acompanhamento.

A incidência de efeitos adversos não apresentou diferença significativa entre os grupos. Também não foram observadas diferenças relevantes em alguns resultados secundários, como sintomas neuropsiquiátricos, sono e depressão.

Isso significa que a cannabis recupera a memória?

Esse é o ponto que exige mais cuidado.

O estudo apresentou um sinal positivo relacionado ao desempenho cognitivo, mas contou com um número pequeno de participantes. Além disso, uma melhora em um teste não significa necessariamente a recuperação completa das memórias perdidas ou a reversão da doença.

Portanto, ainda não é possível afirmar que a cannabis medicinal interrompe ou cura o Alzheimer.

Os resultados indicam uma possibilidade terapêutica que precisa ser confirmada em pesquisas com mais participantes, diferentes doses, acompanhamento por períodos maiores e avaliação de outros aspectos da cognição e da funcionalidade.

A ciência avança justamente dessa forma: um estudo abre uma pergunta, outros trabalhos verificam se o resultado pode ser repetido e, somente depois, protocolos clínicos mais seguros são estabelecidos.

A cannabis também pode ajudar em outros sintomas?

Antes do estudo brasileiro, grande parte das pesquisas com canabinoides em pessoas com demência estava concentrada nos sintomas comportamentais.

Entre os temas investigados estão:

  • agitação e agressividade;
  • ansiedade e irritabilidade;
  • alterações do sono;
  • falta de apetite;
  • sofrimento emocional;
  • sobrecarga dos cuidadores.

Alguns estudos encontraram sinais de melhora em determinados sintomas, mas os resultados ainda variam conforme o tipo de canabinoide, a composição do produto, a dose, o estágio da doença e as características do paciente.

Isso significa que a cannabis medicinal não deve ser vista como um tratamento único ou indicado automaticamente para todas as pessoas com Alzheimer.

Por que o acompanhamento médico é indispensável?

O cuidado precisa ser ainda maior quando falamos de pessoas idosas.

Muitos pacientes com Alzheimer utilizam diferentes medicamentos para controlar pressão arterial, diabetes, alterações do humor, sono, dor e outras doenças. A introdução de qualquer novo tratamento exige uma revisão cuidadosa dessa rotina.

Dependendo da composição, da dose e da resposta individual, os canabinoides podem provocar efeitos como:

  • sonolência;
  • tontura;
  • alterações de equilíbrio;
  • confusão;
  • queda de pressão;
  • mudanças no apetite;
  • interação com outros medicamentos.

Em uma avaliação responsável, o médico precisa entender qual sintoma está sendo tratado, quais medicamentos já são utilizados, como está a funcionalidade do paciente e quais benefícios seriam realmente importantes para sua qualidade de vida.

Depois do início do tratamento, o acompanhamento permite observar respostas, ajustar a dose e suspender a utilização caso não exista benefício ou apareçam efeitos indesejados.

Quer entender se a cannabis medicinal pode ser considerada no cuidado de uma pessoa com Alzheimer?

Agende uma avaliação. Durante a consulta, serão analisados o estágio da doença, os sintomas, os medicamentos utilizados, os possíveis riscos e as necessidades de cada paciente.

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